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 Revista toxicodependências

 
Revista nº: 1/1999
CONTRIBUIÇÃO PARA UMA ANÁLISE HISTÓRICA DA DROGA

Carlos Alberto Poiares

RESUMO:
Ao longo do artigo, o autor traça a genealogia do consumo de drogas, desde a antiguidade até ao tempo presente, procurando demonstrar que existiu sempre uma relação de proximidade (quando não de dependência) entre a Humanidade e as substâncias estupefacientes e psicotrópicas. Todavia, em cada tempo histórico-cultural têm sido diversos os contextos em que se inscrevem esses usos e as representações sociais que dos mesmos são feitas. Assim, o consumo de droga tem assumido na História as faces religiosa, de ritualidade social, lúdica e terapêutica, tornando-se, a partir dos finais do século XIX, objecto e causa de criminalidade. Os consumos não divergiram tanto quanto se poderia supor: a grande mutação reside na forma como as comunidades (nacionais e internacional) têm representado os utilizadores de droga. Daí a íntima conexão entre a droga e a delinquência (a lei produziu o delinquente-consumidor) e os espaços de estigmatização de que o Casal Ventoso constitui um exemplo actual.
As incidências discursivas que hoje se cumulam, a propósito das drogas, suscitam a necessidade de serem reequacionadas as representações sociais e político-jurídicas, sob pena de as disfuncionalidades dos diferentes sistemas (de saúde, justiça, segurança) se tornarem contribuintes de cada vez maior complexificação e agravamento do consumo, dos seus contextos, dos seus espaços e dos seus actores. Estas as razões por que não é necessária uma nova política de droga, mas uma outra abordagem do consumo de droga, fundada, naturalmente, no conhecimento e na investigação.
Palavras-chave: História; Drogas em geral.


RÉSUMÉ:
Tout du long de cette article, l'auteur établit la généalogie de la consommation de drogues, dès l'antiquité jusqu'à l'heure actuelle, essayant de montrer qu'il y existe toujours un rapport de proximité (sinon de dépendance) entre l'Humanité et les substances stupéfiantes et psychotropiques. Néanmoins, a chaque temp historique et culturel il y a des contextes différents pour l'inscription des usages et des représentations sociales.
De cette façon, la consommation de drogue a assumée dans l'histoire un coté religieux, à rituel social, ludique et thérapeutique, en devenant, a partir de la fin du XIX siècle, objet et cause de criminalité. Les consommations n'ont pas changés comme nous aurions imaginé: le grand changement a eu lieu dans la forme comme les communautés (nationaux et internationaux) représentent les usagers des drogues. D'où la connexion étroite entre la drogue et la délinquance (la loi a produit le délinquent-consommateur) et les espaces de stigmatisation dont Casal Ventoso devient l'exemple aujourd'hui.
Les incidences discursives que s'accumulent aujourd'hui, à propos des drogues, soulèvent la nécessité de réévaluer les representations sociales, politiques et juridiques, faute de quoi les disfonctionalités des différents systèmes (de santé, justice, sécurité) deviendront la cause de niveaux d'abus de plus en plus complexes et sévères.
Ce sont les raisons par lesquelles il n'est pas nécessaire une nouvelle politique de drogue, mais un autre approche de la consommation de drogue, basée forcément , dans la connaissance et la recherche.
Mots-clé: Histoire; Drogues en général.


ABSTRACT:
Throughout the article the author draws the genealogy of drug use since the ancient times until the present, attempting to demonstrate the idea that there has always existed a relation of proximity (if not of dependence) between Humankind and psychotropic substances. However, and in accordance to each specific historic and cultural time, exists a diversity of contexts in which these uses and their social representations are themselves produced. In this way, the use of drugs has historically been pictured with different "faces" of religiosity, social ritual, hedonism and treatment, ie. Therapeutic intervention; transforming itself into an object and cause of criminality in the last years of the 19th century.
The characteristics of the use have not altered as much as would be expected: the greatest alteration resides in the form the communities (National and International) have represented drug users themselves. As a consequence, the existence of a close relationship between the issue of drug use and crime (the law produced the criminal-user) of which contexts of stigmatisation like the Casal Ventoso in Lisbon constitute an extremely actual example.
Nowadays, the discourses more frequently produced about drugs, create the need of a re-equationment of the social, political and judicial representations. Without this analysis, exists the danger of the disfunctionalities of the different systems becoming contributors of an escalated complexity and problematization of the use, their contexts, in sum, the actors and the scenery. On the grounds of the argument here described, the author believes that there is no necessity of a new drug policy, but instead, a different scientific posture of drug use and abuse, based in the constant search for knowledge through research.
Keywords: History; Drugs.


artigo 1_1999.pdf
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