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 Addiction Journal

 
Magazine No.: 3/2003
VER DE LONGE PARA OLHAR DE PERTO: A INTERVENÇÃO SOCIO-SANITÁRIA JUNTO DE GRUPOS MARGINALIZADOS EM S. FRANCISCO

Maria Carmo Carvalho, Rui Tinoco, Luís Fernandes

RESUMO
A presença continuada de toxicodependentes nos espaços públicos das grandes cidades colocou o cidadão médio perante a evidência das consequências da deriva junkie e fez emergir uma série de estratégias de cuidados e de controle sanitário que é comum agrupar sob a etiqueta de “redução de riscos e minimização de danos”. Neste artigo propõe-se uma visita a algumas destas acções junto de toxicodependentes de rua em S. Francisco, nos EUA. Descrevem-se em primeiro lugar alguns aspectos socioculturais do contexto em análise, de modo a situar as instituições e os projectos que, em traços gerais, são em seguida dados a conhecer. A legitimação das práticas de intervenção socio-sanitária ao nível dos discursos oficiais, quando comparamos EUA e Europa, revelam nítidas diferenças em relação ao papel do Estado na intervenção com populações marginalizadas, bem como diferenças na tónica criminalizante, mais acentuada nos EUA. E a perigosidade lida em determinados fenómenos e consequente percepção de ameaça para a saúde pública remete-nos para a velha lógica da defesa social. Procura-se, através da distância geográfica e socio-cultural, criar distância crítica sobre as nossas próprias práticas neste campo – ir longe como método para ver de perto.
Palavras-chave: Marginalidade urbana; Redução de riscos; Controle social.


RÉSUMÉ
La présence continuée de toxicomanes dans les lieux publics des grandes villes a mis le citoyen moyen devant les conséquences évidentes des junkies qui se déplacent sans aucun objectif, et a fait apparaître une série de stratégies de soins et de contrôle sanitaire qu’on appelle «la réduction des méfaits». Dans cet article on se propose accompagner quelques actions entraînées entre les toxicomanes de la rue en S. Francisco, aux États Unies.
D’abord, on fait la description de quelques aspects socio-culturels du contexte en analyse, de façon à situer les institutions et les projets compris dans ces actions. La légitimation des pratiques d’intervention socio-sanitaire au niveau des discours officiels, si on compare les États Unies avec l’Europe, montrent des différences très nettes en ce qui concerne le rôle de l’État dans l’intervention auprès des populations marginalisées, ainsi que des différences dans la procédure criminelle, plus marquée aux États Unies. Le péril dans certains phénomènes et la conséquente perception de la menace pour la santé publique, nous remettent pour la vieille logique de la défense sociale. On essaye, par la distance géographique et socio-culturelle, de créer une distance critique sur nos propres pratiques dans ce domaine – aller loin comme méthode pour voir de près.
Mots-clé: Criminalité urbaine; Réduction des méfaits; Contrôle social.


ABSTRACT
The continued presence of drug users in the public places of the big cities, obliged the medium citizen to confront himself with the evident consequences of the junkie drifting and made appear a set of strategies of sanitary control labelled as “harm reduction and damage limitation”. This article proposes a visit to some of these actions among the street addicts of S. Francisco, in the USA. First, are described some socio-cultural aspects of the context in analysis, in order to situate the institutions and projects included in those actions. The legitimacy of the practices related to the socio-sanitary intervention at the political level, if we compare the USA and Europe, reveal clear differences regarding the role of the State intervention among marginalized populations, as well as the differences at criminal level, more emphasized in the USA. The dangers found in certain phenomena and the consequent perception of the menace to the public health, put us in the old position of social defence. Throughout the geographical and socio-cultural distance, is made the attempt to create a critical distance upon our own practices in this field – go far away, as a method, to see close.
Keywords: Urban criminality; Harm reduction; Social control.


2003_03_TXT6.pdf
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